(Pronunciamento de Luiz Hilton Temp presidente da Ocesc, presidente da Cooperativa A-1 e diretor da Coopercentral Aurora na solenidade de outorga do título de Cidadão Catarinense, Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 08/12/2003)

            (Saudações)
 
            A bondade e a generosidade dos insignes parlamentares que adornam essa Casa Legislativa determinaram a concessão e a outorga a este singelo brasileiro do Título de Cidadão Catarinense, por proposição do preclaro deputado Herneus De Nadal. É uma distinção que enobrece qualquer homem. É uma honraria com a qual jamais sonhamos.
            Pode-se avaliar a avassaladora dimensão dessa homenagem ao constatar-se que no grande Oeste catarinense, onde construí minha vida, apenas três pessoas receberam este título. Foram três personalidades que insculpiram suas ações, obras e pensamentos na história recente deste Estado. Em junho de 1989 foi agraciado o grande líder do cooperativismo catarinense e brasileiro, Aury Luiz Bodanese, que em janeiro deste ano foi chamado pelo Grande Arquiteto do Universo ao justo e merecido descanso.
            Em outubro de 1990 foi o grande capitão da agroindústria do segmento de carnes Plínio Arlindo De Nes, líder político, empresarial e comunitário que alavancou o processo de industrialização do Oeste. O terceiro oestino a receber o título de Cidadão Catarinense foi, em dezembro de 1995, o Bispo Diocesano de Chapecó Dom José Gomes, cuja ação pastoral tornou-se conhecida internacionalmente.
            Esses três homens desapareceram da vida catarinense mas deixaram impressos na retina de nossa memória ações, pensamentos e conceitos que influenciaram e influenciarão gerações inteiras. Ao contemplar a obra e a contribuição pessoal de cada um para o desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil, duas constatações me dominam: a de que eles foram gigantes de seu tempo e a de que essa Assembléia Legislativa foi sábia em render-lhes tributos.
            Justamente para Aury Bodanese dirigem-se meus primeiros pensamentos. Muitas das lições que mais profundamente marcaram minha vida foram temperadas na frutífera convivência com esse inesquecível cooperativista, um homem obstinado que transformou Santa Catarina em paradigma mundial de cooperativismo eficiente, responsável e vitorioso.
            No culto à lembrança dele que foi meu líder, meu mentor, meu conselheiro encontro a motivação subjacente desta homenagem da qual sou destinatário. Colocado sob um prisma histórico e conjuntural, esta solenidade expressa o reconhecimento desta egrégia Assembléia ao sistema cooperativista catarinense, essa formidável organização humana inspirada em princípios seculares de trabalho, solidariedade, comprometimento social e justiça.
            É notória a contribuição das 320 cooperativas, seus 15.000 empregados e meio milhão de associados dos campos e das cidades para o desenvolvimento social e econômico de Santa Catarina. Movimentando cerca de R$ 5 bilhões de reais ao ano, elas atuam em setores sensíveis da sociedade, como a agricultura e o agronegócio, infra-estrutura e serviços, assegurando a viabilidade de atividades econômicas essenciais. Em face de suas práticas e de seu ideário, as Cooperativas contribuem decisivamente para a paz social e o fortalecimento da democracia.
            Devo muito ao cooperativismo ao qual minha vida está intrinsecamente vinculada. Minha devoção a essa doutrina foi estimulada pelo meu saudoso genitor Sewald Temp e por minha mãe Anita Temp e cultivada desde tenra idade no município sul-rio-grandense de Agudo. Foi ali, no aconchego do lar paterno, que recebi as primeiras e inolvidáveis lições de honestidade, amor à terra, apego ao trabalho, importância da lealdade e do estudo alguns dos mais caros valores do cooperativismo. Nutro profunda gratidão à família que me gerou, ambiente de amor e respeito, onde plasmei as bases de meu caráter e os pilares de minha personalidade.
            De Agudo guardo lembranças de uma infância feliz e uma adolescência tranqüila, de folguedos, estudos e trabalho, temperadas pelo fascínio das descobertas próprias da idade e por sinceras amizades, as quais cultivo até os dias de hoje.
            Há 26 anos deixei tornei-me um catarinense por opção, cativado pelas belezas e pelas oportunidades desta terra. Troquei os verdejantes campos gaúchos pela topografia acidentada do Oeste catarinense, uma região marcada por vales sinuosos, vincados por rios caudalosos e densamente ocupada por todas as etnias que compõem o rico mosaico étnico-cultural do Sul do Brasil. Sempre devotei admiração a esse povo determinado e valente, forjado nos valores do trabalho e do amor à terra, que não intimidou-se pelas condicionantes geográficas e construiu um dos mais emblemáticos paradigmas de desenvolvimento em solo brasileiro.
            Minha trajetória em Santa Catarina iniciou-se na segunda metade da década de 1970 quando, recém-graduado em economia pela Universidade Federal de Santa Maria, aportei em Palmitos atendendo a convite do então presidente da Cooperativa Regional Arco Íris, Helvino Heliberto Hoppe. Com o município de Palmitos e com a Cooperarco iniciei uma relação que perdura até hoje e que foi muito além de uma atividade laboral. Foi uma porta aberta para um novo universo.
            À essa simpática e laboriosa comunidade de Palmitos, que acolheu-me sem reservas ou preconceitos xenofóbicos, devo as fases mais felizes de minha vida. Situada ao lado do legendário rio Uruguai, essa terra notabilizou-se pela extraordinária capacidade de produção de sua gente. Um povo de forte descendência ítalo-germânica, com vocação para trabalhar e construir, faz de Palmitos um lugar para se cultivar sinceras amizades, viver em harmonia com o universo e usufruir a exuberante beleza natural das estâncias hidrotermais.
            O vivência diuturna do cooperativismo levou-me à participar da Ocesc, a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina essa grande Escola do cooperativismo verde-rubro , onde, nas últimas décadas, privei da companhia e dos ensinamentos das grandes lideranças do setor. A generosidade dos companheiros elevou-me à Presidência desse organismo, onde cumpro a etapa final de um gratificante mandato.
            Em 2002 assumi cargo executivo na superior administração da Coopercentral Aurora um dos maiores orgulhos do cooperativismo brasileiro depois de eleito secretário do seu Conselho de Administração. Passei a participar da gestão desse colosso empresarial de 8.000 funcionários e faturamento superior a R$ 1,3 bilhão de reais ao lado de dois grandes dirigentes: o presidente José Zeferino Pedrozo e o vice-presidente Mário Lanznaster. Pedrozo, que por duas legislaturas atuou nesta Casa, também preside a Federação da Agricultura do Estado, a Faesc, entre outras importantes instituições do setor, e tornou-se um dos maiores e mais respeitados intérpretes do setor primário da economia barriga-verde. Lanznaster, que preside a maior cooperativa singular do ramo agropecuário, tem demonstrado extraordinária capacidade de vencer desafios e crescer. São dois amigos cuja convivência ao lado de outros companheiros da Coopercentral Aurora tem resultado em fecunda aprendizagem.
            Motivaram-me a assumir esses cargos a situação de fragilidade do setor primário de nossa economia e a necessidade de elevar as condições de vida e trabalho do produtor rural e sua família. Essa tem sido uma das minhas grandes lutas e a razão de minha longa militância no cooperativismo.
            É justo destacar que a minha convivência cotidiana com a Cooperarco (atual Cooperativa A-1) amalgamou minha formação cooperativista, fortaleceu minha convicção nos princípios e nos valores. Apaixonei-me e entreguei-me ainda mais ao cooperativismo, essa exitosa experiência humana auto-estimulada para a defesa das classes economicamente frágeis em busca de sua autonomia e independência.
            Cooperativismo foi, para mim, uma escola de civismo e democracia, tal qual esta casa legislativa. Nesse particular, permito-me, pela obviedade das circunstâncias, traçar um paralelo entre cooperativistas e parlamentares. Alcança-se a representação parlamentar e a representação cooperativista com eleições absolutamente livres e límpidas, conduzidas à luz e ao rigor dos respectivos arcabouços legais.
            Momentos como esses mais do que de júbilo e de ufanismo são ocasiões particularmente importantes para reflexão sobre a extensão e a complexidade do compromisso que assumimos perante a sociedade.
            Cooperativistas, parlamentares e demais lideranças têm como pano de fundo uma era de incertezas, vergastados por problemas crônicos de um país em crescimento com fortes contrastes regionais, lutando para reduzir desigualdades, criar uma infra-estrutura de crescimento econômico de Norte a Sul e de Leste a Oeste, dar assistência aos fragilizados, amparar a velhice e pavimentar um futuro para as gerações que estão chegando.
            Os novos tempos estão repletos de desafios e surpresas. Assombra-nos o desemprego, a violência, o jugo implacável dos megacapitais internacionais que fazem sucumbir os mais sérios programas governamentais, aniquilam economias e arrasam nações.
            Os novos desafios da atualidade e o ingresso do Brasil no panorama internacional encerraram qualquer discussão sobre vantagens e desvantagens de nossa integração a um plano econômico, político e cultural mundial. Desejando ou não, somos ora protagonistas, ora coadjuvantes de um cenário globalizado, onde as decisões, os fluxos e os influxos de qualquer parte do planeta impactam de imediato nossa realidade interna, fazendo com que decisões tomadas em Tóquio ou em Nova Iorque infelicitem o microempresário de Blumenau ou o produtor rural de Chapecó.
            Essa nova realidade que nos envolve inexoravelmente e a cada dia com maior celeridade emoldura com tons de dramaticidade o papel do cooperativista e também do homem público. Todas as demandas sociais decorrentes do pulsar desse processo globalizante deságuam nas Cooperativas e nos Parlamentos, exigindo ações e reações ágeis e acertadas. Não há mais espaço para a tibieza ou titubeios.
            Tanto ao cooperativista quanto ao parlamentar exige-se a contínua interpretação dos processos sociais em curso para que a ação cooperativista e a ação parlamentar sejam a grande impulsionadora das mudanças e transformações reclamadas pela sociedade.
            Em Santa Catarina, os desafios do desenvolvimento são enormes, mas as nossas potencialidades são muito maiores que nossas deficiências. Culturalmente multifacetado, o Estado reúne um extraordinário capital social em comunidades cujo perfil humano surgiu de mistura de povos e etnias e que reúne a bravura do caboclo, a força e perseverança do negro, a inventividade do lusitano, o arrojo empresarial do italiano e a paixão pela mecânica dos germânicos.
            Na mente e nos corações dessa riqueza humana fecundaram os ideais do cooperativismo e emergiram milhares de autênticas lideranças. Por isso, qualquer que sejam os desafios e os cenários deste século, estaremos preparados para enfrentá-los.
            Senhores deputados, colho a homenagem deste dia com incontida alegria e o sentido da imanente responsabilidade, pois, em face dela, renovo meus compromissos com essa terra abençoada pelo Criador. Haverei de redobrar esforços e perseverar na senda que pelo trabalho, pelo estudo, pelo investimento proporciona o desenvolvimento de extensas regiões catarinenses. Acolherei em meu íntimo essa comenda com despojo e reverência e dela não hei de jactar-me, mas ostentá-la sem arrogância.
            Vates e filósofos de todas as escolas proclamam que o importante na vida é fazer a DIFERENÇA para alguém. Espero, sem devaneios, do íntimo de meu ser, em razão de meus atos, palavras, idéias e posições, de meu trabalho, de meus erros e de meus acertos, enfim, de minha curta jornada nesse Universo ter sido a diferença para as pessoas que amo e admiro. Que a poeira dos tempos não esmaeça esse sentimento de pertencer e de repartir
            Por isso, peço permissão para os agradecimentos finais pois minha consciência IMPELE-ME a repartir a honraria de que sou alvo neste dia como já mencionei com outras pessoas que ombrearam comigo nesta jornada da vida e que concorreram decisiva e positivamente para minhas conquistas.
            Em primeiro lugar, minha esposa Crista Gerdi Martin Temp. Companheira de todas as horas, é o primeiro ponto de apoio, de compreensão e de aconselhamento em todos os instantes. É a origem de minha força e de minha motivação. Aos meus filhos Nice, Veruska e Martim, que tem compreendido minhas constantes ausências, meu terno e amoroso agradecimento.
            Aos meus companheiros da Ocesc e do Sescoop, da Coopercentral Aurora, da Cooperativa A-1 e das demais instituições das quais participo, meu eterno agradecimento pela lealdade e pelo apoio.
            Aos dirigentes cooperativistas, funcionários e cooperados das 320 sociedades cooperativas abrigados sob o estandarte do sistema Ocesc, com quem tenho aprendido muito, minha imorredoura gratidão por terem conduzido-me à presidência desta exemplar e paradigmática instituição.
            Nossos mais vibrantes agradecimentos ao Senhor Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, a quem tive o prazer de entregar, à poucos instantes, a MEDALHA DO MÉRITO COOPERATIVISMO CATARINENSE, outorgada por decisão unânime da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc).
            A medalha foi criada em 1976 e destina-se a galardoar pessoas ou instituições nacionais ou estrangeiras que, no campo de suas atividades, distinguiram-se de forma notável e relevante e que tenham contribuído direta ou indiretamente para o engrandecimento do cooperativismo barriga-verde.
            Portanto, essa homenagem não é IMOTIVADA nem gratuita, mas simboliza o reconhecimento do sistema cooperativista ao apoio que a Administração estadual vem emprestando a esse importante segmento da vida catarinense. Por outro lado, é a manifestação sincera de que seu compromisso com o futuro deste Estado e o hercúleo esforço de Vossa Excelência para superar todas as barreiras e desenvolver todas as potencialidades catarinenses NÃO passam desapercebidos.
            À Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina que nos concedeu a honra desta distinção, nossos agradecimentos pela manifesta valorização e reconhecimento ao cooperativismo barriga-verde.
            Aos amigos de todos os recantos do Estado que prestigiam este momento ou que acompanham as imagens da TV Assembléia, nosso fraternal abraço.
            Muito obrigado a todos.

(Pronunciamento de Luiz Hilton Temp, na outorga do título de Cidadão Honorário de Palmitos, em 05/07/2003)

Excelentíssimo Senhor Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira; Senhor presidente da Colenda Câmara de Vereadores de Palmitos; Senhores Vereadores; Senhores Secretários Regionais de Governo; lideranças empresariais, comunitárias e cooperativistas aqui presentes; Senhoras e Senhores que prestigiam esta sessão solene.
 
            De todas as tentativas de definição da vida, talvez a mais precisa tenha sido a do poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Escreveu ele: “A vida é um fenômeno local”. Podemos percorrer todos os continentes, visitar os mais longínquos países, ter uma visão planetária da sociedade humana, participarmos de eventos que assinalam a globalização da economia e a transnacionalização dos negócios, mas sempre, sempre, teremos nossa vida organizada num espaço a que chamamos de comunidade.
            De fato, por mais longe que se vá, nossas referências emocionais e materiais como família, trabalho, amigos, patrimônio, projetos etc. estarão fundadas em um espaço relativamente local. O conceito de Bertolt Brecht foi precursor de uma contingência dos novos tempos, segundo a qual, hodiernamente, é preciso “pensar globalmente para agir localmente”.
            Não importa a época, não importa o lugar, a comunidade é tudo na vida. O homem constrói a comunidade e, simultaneamente, constrói-se a si mesmo. A comunidade é o reflexo do homem, e vice-versa, o homem reflete a comunidade a que pertence. Por isso, o compromisso precípuo de cada um de nós é trabalhar pelo aperfeiçoamento da sociedade, substituindo a crítica pela cooperação, a omissão pela participação, o desinteresse pelo engajamento, o menoscabo por uma atitude propositiva e proativa.
            Faço essa introdução para realçar minha eterna gratidão à comunidade de Palmitos que há 26 anos acolheu-me com afeto e generosidade, permitindo-me aqui edificar minha vida.
            Foram 26 anos de crescimento, no qual a somatória de vitórias e conquistas pela graça do Grande Arquiteto do Universo excede a somatória de fracassos e decepções.
Recém-graduado em economia pela Universidade Federal de Santa Maria, no início da segunda metade da década de 1970, aportei em Palmitos pelas mãos bondosas do então presidente da Cooperativa Regional Arco Íris, Helvino Heliberto Hoppe. Com a Cooperarco iniciei uma relação que perdura até hoje e que foi muito além de uma atividade laboral. Foi uma porta aberta para um novo universo.
            Exerci as gerências administrativa e financeira, a superintendência e, finalmente, a presidência. Minha atuação na Cooperativa catapultou-me ao centro do sistema cooperativista catarinense: presidi de 1994 a 2000 a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina, a Fecoagro e, desde 2001, o Conselho de Administração da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, a Ocesc, e, por via de conseqüência, a administração regional do Serviço Nacional e Aprendizagem do Cooperativismo, o Sescoop. Além disso, integro o Conselho de Administração do órgão nacional de cúpula do cooperativismo brasileiro, a OCB.
            No último bimestre do ano passado assumi cargo executivo na superior administração da Coopercentral Aurora um dos maiores orgulhos do cooperativismo brasileiro depois de eleito secretário do seu Conselho de Administração. Passei a participar da gestão desse colosso empresarial de 8.000 funcionários e faturamento superior a R$ 1 bilhão de reais ao lado de dois grandes dirigentes: o presidente José Zeferino Pedrozo e o vice-presidente Mário Lanznaster.
            Menciono esses cargos e funções sem nenhuma exteriorização de vaidade, mas apenas para ilustrar que, ao ocupá-los, estou homenageando minha comunidade, minha região, meus companheiros de jornada enfim, aqueles que me constituíram seu representante e em nome dos quais exerço tais atividades de coordenação e comando.
            Motivaram-me a assumir esses cargos a situação de fragilidade do setor primário de nossa economia e a necessidade de elevar as condições de vida e trabalho do produtor rural e sua família. Essa tem sido uma das minhas grandes lutas e a razão de minha longa militância no cooperativismo.
            É justo destacar que a minha convivência cotidiana com a Cooperarco (atual Cooperativa A-1) amalgamou minha formação cooperativista, fortaleceu minha convicção nos princípios e nos valores. Apaixonei-me e entreguei-me ao cooperativismo, essa exitosa experiência humana auto-estimulada para a defesa dos grupos economicamente frágeis em busca de sua autonomia e independência.
            Cooperativismo foi, para mim, uma escola de civismo e democracia.
            Muitas dessas lições foram temperadas na frutífera convivência com o inesquecível capitão do cooperativismo, Aury Luiz Bodanese, um homem obstinado que transformou Santa Catarina em paradigma mundial de cooperativismo eficiente, responsável e vitorioso.
            Em Palmitos constituí família ao lado de minha inseparável esposa Crista Gerdi Martin Temp. Aqui nasceram nossos três filhos e aqui estruturamos nossa vida, sendo depositários da sincera amizade de incontáveis amigos.
            Tenho uma gratidão e uma dívida imensa com a família que ajudei a construir. Muito do que sou e fiz devo ao que aprendi tentando ensinar aos meus filhos, ao que recebi pensando que estava dando. Os meus desalentos, momentos de tristeza e inquietação sempre encontraram ali olhos amorosos, ouvidos de compreensão e palavras de incentivo.
            Sei também que muitas vezes privei a mim mesmo e às pessoas que amo do convívio que muitas vezes gostaria que tivesse sido mais intenso, possivelmente pela certeza de sentir-me apoiado e compreendido quanto à minha missão profissional, empresarial e institucional.
            O sucesso de minha jornada, até aqui, deve-se em grande parte ao apoio e ao estímulo de minha companheira Crista. Mãe diligente, soube educar e suprir as minhas ausências quando exigidas por imperiosos compromissos. Subordinou todos os demais interesses pelo bem da família. Hoje, com os filhos adultos e adolescentes, Crista volta aos bancos escolares para concluir formação em nível superior, orgulhando mais uma vez a todos nós.
            Com humildade e sentimento de justiça reparto com minha esposa a honraria que hoje recebo e faço desse gesto uma homenagem a todas as mulheres aqui presentes, cujo esforço e dedicação no lar são fatores determinantes para o sucesso e a felicidade de suas famílias.
            Reparto, também, esta nobilitante homenagem com aquelas milhares de pessoas que, sozinhas ou com suas famílias, aportaram em Palmitos há 20, 30, 40 anos ou mais para aqui, nesta terra, escrever com labor e dedicação algumas das mais enobrecedoras páginas de nossa história. O trabalho anônimo desses pioneiros na agricultura, na indústria, no comércio, na área de serviços, na política e nas atividades comunitárias tornou-se a força motriz de nosso desenvolvimento. Por isso, em Palmitos, ninguém é estrangeiro. Todos temos corações palmitenses, oestinos, catarinenses e brasileiros batendo forte e em uníssono, no compasso da integração, do respeito e da harmonia.
            À egrégia Câmara de Vereadores do município de Palmitos quero manifestar que fui tomado de grata surpresa ao receber comunicação de que seria alvo de deferência tão enaltecedora.
            Recebo o título de cidadão honorário de Palmitos com o coração repleto de incontida alegria e o sentimento de que essa honraria fruto da nobreza e da generosidade dos senhores legisladores municipais aumenta minha responsabilidade perante minha comunidade. Por isso, colho-a com modéstia, respeito, reverência e submissão. Dela não hei de jactar-me, mas ostentá-la sem arrogância.
            É importante observar que, nesses tempos muito mais de conflitos e competições de toda ordem, ser alvo desse reconhecimento é algo que me comove profundamente. E num momento como esse me permito olhar para dentro de mim mesmo em busca do que tenha porventura feito para receber tal zelo.
            Minha vida, marcada pelo trabalho incansável, pela perseverança e por uma profunda crença no espírito associativista, permitiram-me ir muito além do que eu esperava para mim mesmo. Em verdade, a vida tem sido muito generosa comigo em conquistas e se isso tudo tem me sido outorgado foi porque não construí o que tenho e o que sou sozinho.
            Tenho uma dívida benfazeja enorme com a família que me gerou e, mais do que isso, plantou em mim sementes saudáveis que germinaram uma vida, não sem sofrimentos, mas uma trajetória comprometida com os ideais que me foram inculcados. Nesse particular cumpre-me honrar a memória de meu saudoso genitor Sewald Temp e de minha mãe Anita Temp. Foi ali, no aconchego do lar paterno, que recebi as primeiras e inolvidáveis lições de honestidade, amor à terra, apego ao trabalho, importância da lealdade e valor do estudo.
Sou um eterno aprendiz. Não tenho obsessão por dinheiro ou pelo poder. O que me atrai e fascina são planos, projetos e programas para mudar o mundo e melhorar a vida das pessoas. Sou apaixonado pelo que faço. Tenho horror à preguiça, à ineficiência, ao descompromisso, à prepotência e à indiferença. Admiro as pessoas que lutam, que assumem posições, que atuam com coragem e lealdade e que são coerentes com seus valores e suas crenças.
            Não existirão nunca palavras suficientes que expressem o quanto devo também aos meus amigos do campo e da cidade, das cooperativas, das empresas parceiras, das instituições públicas e privadas, das organizações das quais participo ou participei, enfim, de todos que me honraram com sua amizade.
            Divido com Palmitos essa terra que tem me devolvido muito mais do que aquilo que plantei   os frutos desse inesquecível 5 de julho e 2003, dia internacional do cooperativismo.
            Muito obrigado e um beijo no coração de cada um de vocês!
 

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